Sem o fausto francês, Petrópolis concentrou o poder do Império e foi uma das primeiras cidades planejadas do país.
Em
uma de suas muitas viagens pelo país em 1822, ao passar pela Serra dos
Órgãos, na região serrana fluminense, dom Pedro I hospedou-se na fazenda
do Padre Correia. Encantou-se com a vegetação e o clima ameno e
tornou-se visitante assíduo, atrás de um refresco do alto verão carioca e
à procura de “melhores ares” para a filha, Paula Mariana, sempre
adoentada. Se, como diz o ditado popular, visita é como peixe, depois de
três dias começa a cheirar mal, é de imaginar o transtorno que as
estadas do imperador causavam aos donos do lugar. Após a morte do padre,
sua irmã e herdeira, dona Arcângela, continuou tendo de receber, além
de dom Pedro e de seus filhos, a amante Marquesa de Santos, outros
membros da corte e um séquito de serviçais – cozinheiros, camareiras,
aias e cavalariços. Farta, a anfitriã chegou a desabafar com a filha
após uma das visitas imperiais, em que até o cavalo do falecido padre
levaram embora: “E, quando se despediram, foi até outra vez que esperam
tornar; essa gente pensa que há obrigação de os receber”.