Os Tudor conseguiram dar fim a uma guerra civil, criaram uma nova religião e colocaram a Inglaterra no caminho para se tornar uma potência. Isso tudo em apenas 100 anos.
Vinícius Rodrigues
Aos 69 anos, Elizabeth I estava cansada, velha demais para os
padrões da época e solitária. A "rainha virgem" passou seus últimos
meses de vida na cama, recusando qualquer atendimento médico. No leito, a
monarca recebeu a visita do arcebispo John Whigtift. Ele tomou suas
mãos e lhe falou sobre o paraíso. Elizabeth respondeu retribuindo o
aperto de mãos, contente pelo que ia encontrar nos céus. Morreu nas
últimas horas de 24 de março de 1603, no palácio de Richmond, no condado
de Surrey. "Foi com tristeza que a notícia da morte percorreu Londres
na manhã seguinte. A rainha governara o reino por quase 45 anos e não
havia deixado descendentes diretos", diz Heather Thomas, historiadora
galesa especializada na história de Elizabeth I. Com o fim do reinado, a
dinastia Tudor, após 118 anos, chegava ao fim. Os Tudor assumiram a
coroa inglesa em 1485. Henrique VII deu início à linhagem que teve como
sucessores Henrique VIII, Eduardo VI, Mary I e Elizabeth I. Durante a
dinastia, houve o rompimento com a Igreja Católica e a fundação da
Igreja Anglicana e a Inglaterra atingiu alto nível de desenvolvimento
político, econômico e cultural. É sob os Tudor que se tem o período
mais florescente da expansão e consolidação do poderio britânico, na
política européia, no comércio e nas finanças, na expansão ultramarina e
na independência religiosa, afirma Estevão Martins, professor de
História na Universidade de Brasília.