Hominídeos primitivos já tinham preferências estéticas renascentistas
REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Haveria algo em comum entre os refinados filósofos e artistas do
Renascimento e da Grécia Antiga e os ancestrais remotos da humanidade
que produziam machados de pedra aparentemente toscos há cerca de 500 mil
anos? Todos tinham o mesmo gosto por certas proporções matemáticas,
afirma um novo estudo.
Pode parecer maluquice, mas é o que um engenheiro britânico radicado no
Brasil diz ter encontrado, após analisar instrumentos pré-históricos. O
principal elemento que ele identificou nos célebres machados de mão do
sítio arqueológico de Boxgrove (Reino Unido) parece algo saído de "O
Código Da Vinci".
Trata-se do uso recorrente da chamada Proporção Áurea, uma relação
matemática que está presente, por exemplo, nos elementos arquitetônicos
que compõem o Parthenon, templo grego em Atenas.
"Nosso gosto moderno, nossas noções de beleza e design, foram herdadas
de um passado profundo", resume Alan Cannell, o autor do estudo. Ele
publicou as conclusões no periódico "Journal of Lithic Studies", voltado
para pesquisas sobre antigas tecnologias líticas (ou seja, de pedra).